Notícias - Humanitude para as Pessoas em Situação de Sem-Abrigo


 2017-08-23

De vez em quando reduz-se a Humanitude a questões de cuidados de higiene, negligenciando todo o seu potencial e abrangência. De facto isto acontece quando se considera a metodologia de cuidados de forma superficial e desprovida de reflexão. A verdade é que a Humanitude é um constructo complexo e composta por um conhecimento profundo, de origem empírica, mas que agora se associa a conhecimento cientifico que a corrobora ainda mais. Até aqui tínhamos resultados, associados à aplicação prática da Humanitude, agora começamos a saber porquê de forma mais profunda.

No entanto, mesmo na sua praticabilidade limitada, no seu empirismo que tantos repugnam, conseguem-se resultados. Resultados bem mais importante que qualquer artigo cientifico possa produzir, falamos de terceiros nascimentos. De momentos em que a pessoa volta à vida, porque as pessoas que dela cuidavam lhe atribuíram valor, confiança, respeito... Por isso a pessoa acreditou em si, deu de si, e voltou a reencontrar-se com o mundo das pessoas. 

Nesses momentos há lágrimas de alegria, confrontos com a mágoa da ausência, matam-se as saudades...

Na verdade aquela pessoa esteve sempre lá, só que ninguém conseguia chegar a ela. a Humanitude ensina como se chega a estas pessoas de forma simples, mas ao mesmo tempo tão sábia e competente.

Neste exemplo que vos trazemos existe isso mesmo: esforço, competência e mestria na aplicação da Humanitude, num contexto por muitos ignorado. As pessoas em situação de sem abrigo são de facto as pessoas mais ignoradas socialmente, com a sua Humanitude pouco estimulada, e por isso são renegados pela própria espécie, pelos seus semelhantes.

Quantos olham nos olhos das pessoas sem-abrigo, lhes sorriem e dizem simplesmente bom dia, ou obrigado?

Pagamos para não os ver... damos a volta, ou andamos mais depressa para não os encontrar...

Que esperamos destas pessoas? Que venham ter com as "outras pessoas" de braços abertos? Que se façam à vida? Que acreditem naquilo que ninguém acredita: neles próprios?

No Centro Social de S. Jorge de Arroios existe uma filosofia diferente. Relembro quando em 2012 encontramos o seu visionário Director Técnico Dr. Pedro Cardoso, que tentava aplicar os ensinamos de Emmanuel Levinas no dia-a-dia de uma realidade social complexa. É com orgulho que caminhamos juntos pela ideia que podemos e devemos fazer muito mais pelos outros.

Na altura a resposta social que disponham para as pessoas em situação de sem-abrigo existia num formato ad-hoc. Uma excelente alma à procura de um corpo. Ao longo destes 2 anos ganhou formato, uma identidade, uma unicidade, que agora lhe garante os resultados, as pequenas grandes vitórias e o devido respeito. 

Inicialmente olhados com desdém pelas pessoas que eles tentam ajudar, naturalmente desconfiados por terem sido muitas vezes rejeitados e desrespeitados por outros "doutores" de outras "instituições de ajuda". Foram ganhando a difícil confiança, estimulando-lhes a Humanitude e recolocando-as na espécie. São agora 29 pessoas de volta ao mundo das pessoas, 2 nascimentos por mês, grandes histórias para recordar que só desaparecemos quando os outros deixam de pensar em nós. 

Pensem em vós, pensem nos vossos, pensem na Humanitude...


Artigo do Jornal "Público" - 26 de Dezembro 2014

Artigo da Câmara Municipal de Lisboa - 16 de Setembro de 2013

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